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quarta-feira, outubro 30, 2019
Livro: Infinitude Do SER - Cynthia Panca 2019
Título: Infinitude do SER
Autora: Cynthia Panca
Editora: Costelas Felinas
Gênero: Poesia
Ano: 2019
Número de páginas: 60
Resenha:
O livro de poesias "Infinitude do SER" vem de encontro aos estudos realizados na Mentalização Quântica para ampliação da consciência; surgiu de uma coletânea de poesias inspiradas e redigidas para o Sarau Flores em Nós do Projeto Cintilar do Reencontro.
"O SER conectado ao TODO, infinito no seu íntimo, percebendo-se capaz de amar, realizar, sonhar... percebendo suas habilidades na arte de criar o que deseja, num mundo de infinitas possibilidades…"
O valor de lançamento do livro é R$ 39,90 e 10% da verba arrecadada será doada para a Assistência São Vicente de Paulo em Santos (Lar de Idosos).
Sobre a autora:
Cynthia Magno Panca, nascida em 18/04/1975, natural de Santos/SP, formada em Direito pela Unimes-Universidade Metropolitana de Santos, no ano de 1998, tendo exercido a profissão de advogada por 18 anos.
Hoje Terapeuta de Terapias Quânticas, com formação de Practitioner em PNL – Programação Neuro Linguística, Practitioner em Barras de Access Consciousness, Hipnose Terapêutica, PHCD e Treinadora em OH Cards, Condutora do Sagrado Feminino e Mentalizadora Quântica.
Desde a adolescência gosta de escrever sobre sentimentos e emoções, percebendo o que se passa no SER interior, porém tendo se afastado da escrita poética e dos contos por 20 anos.
Há um ano, voltou a escrever poesias inspiradas na Infinitude do SER e por um Ser de Luz que reencontrou após 30 anos.
Ativista Cultural, idealizou o Projeto Cintilar do Reencontro, realizando em Dezembro/2018, a primeira parte, composta pelo Sarau Flores em Nós, exaltando o Belo, o Bem e a Verdade, através da arte, cultura e literatura, como forma de aprimorar o ser humano em sua evolução aqui na Terra.
Acredita na Arte Sagrada como Instrumento Terapêutico, seja através da escrita, dança, música, pintura/escultura. Nesse sentido realizou o workshop A Arte Sagrada em Prol da Saúde Física, Mental e Espiritual.
Palestrante sobre as Terapias Quânticas que aplica, possui uma personalidade altruísta e simplista, se sentindo bem ajudando o próximo.
É apaixonada pela vida, pelos dois filhos Henry e Herbert, e pelo Ser de Luz que a acompanha.
Acredita em Deus e é grata a Ele por sua existência nesse plano, mesmo diante de todos os desafios já enfrentados.
É praticante e marqueteira do amor.
Gratidão!
Facebook: https://www.facebook.com/cynthia.duppre
terça-feira, agosto 13, 2019
Conto: Golpe em Lailath - Gabriel G. Sampaio 2016
Golpe em Lailath
Autor: Gabriel G. Sampaio
São Vicente, Baixada Santista, São Paulo
Um Crauler era como os humanos de Lailath chamavam os habitantes originais do planeta Rwaist, na orla externa da Galáxia.
Os humanos haviam chegado lá nos anos finais da Guerra dos 300 anos e, à partir daí, mataram, escravizaram e humilharam o povo daquele mundo.
Diziam que eram ralé, sujos e ignorantes. Que só serviam para trabalhar, nunca para pensar.
Gousdal D’vion era um Crauler que nunca aceitou isso, mas como tinha nascido e crescido em escravidão, viveu boa parte de sua vida conforme as regras da sociedade. Com o passar do tempo, ele viu ideias novas surgindo. Ideias de igualdade.
Quando sua mãe morreu de uma doença com 45 anos, embora sua resistente raça vivesse em média até os 130, Gousdal revoltou-se e fugiu. Foi viver à margem da sociedade Rwaist. Seus últimos 20 anos de vida foram dedicados ao trabalho de libertar e ajudar outros Craulers, sempre de forma pacífica.
D’vion nunca pegou em armas para enfrentar os humanos opressores.
Houve muitas oportunidades para este Crauler visionário vingar-se de seus escravizadores, mas ele nunca o fez. Nunca se entregou ao ódio. Ensinou a seus filhos e netos, nascidos livres, que eles deveriam sempre lutar com a mente e com a fé, nunca com o corpo. Já idoso, tornou-se um escritor.
Assim os Humanos de Lailath viram em alguns séculos de convivência, os Craulers se erguendo, se organizando e virando o jogo.
Espertos e cheios de esperança, os nativos de Rwaist souberam entrar no jogo dos colonizadores. Após revoltas, sofrimento e muita diplomacia, tomaram a dianteira na pseudo-democracia Lailathiana. Foi uma conquista longa e árdua, fruto do trabalho de muitas vidas, de pequenos e grandes líderes. Mas em geral, foi um esforço diário, construído no dia-a-dia das relações de trabalho entre as duas raças.
Com o tempo, alguns líderes dos Craulers chegaram ao poder e, mesmo sem grandes méritos pessoais, colocaram em prática ações que atenuaram a exploração do povo sofrido de Rwaist.
O bisneto de Gousdal, Kor-vag D’vion foi um dos que testemunharam este momento histórico de Lailath. Embora ainda houvesse muito sofrimento e tristeza para seu povo, ele também evitou a violência contra seus opressores.
Mas os humanos colonizadores não deixaram barato estas conquistas. Com conspirações e manobras traiçoeiras, eles voltaram ao poder. Fizeram de tudo para tirar o pouco que os Craulers conseguiram para si. Apenas para se sentirem mais especiais do que os seres com quem dividiam aquele mundo.
— Pensam que nos venceram, mas estão enganados. — disse o líder Crauler que foi traído.
Parecia que a vez os Craulers tinha acabado, que eles voltariam aos pés dos antigos escravagistas de Lailath, mas os Craulers não desistiram. Houve resistência.
Foi neste momento, seis gerações depois de Gousdal, e onze depois da colonização de Lailath, que um Crauler finalmente abraçou a luta armada. Esta foi Almdi D’vion — uma guerreira forjada da violência nos guetos das cidades híbridas de Rwaist.
A teimosia, a determinação e a vontade inabalável dos Craulers, começou a dar resultados. Então, depois de uma guerra civil em que humanos e Craulers lutavam dos dois lados, depois de uma geração inteira que nasceu e viveu entre batalhas, bloqueios e a miséria da guerra, os Craulers superaram seus opressores, se tornando os senhores deste que é hoje um dos Reinos estelares mais resistentes da galáxia!
Aos 90 anos, Almdi D’vion ainda fez mais, liderou a expulsão da elite fascista do sistema e ajudou a sociedade mista de Lailath a executar uma reforma social e econômica como nunca vista. A era da segregação e exploração finalmente acabou naquele sistema solar.
Já os humanos opressores, que se achavam seres superiores, foram aos poucos esquecidos, tendo seus nomes limados de todas as crônicas daqueles mundos.
– Da Enciclopédia de História Galáctica.
Esta história se passa cerca de 2 mil anos antes da Guerra do Exídio, contada no livro “Exídium”.
Sobre o autor:
Gabriel G. Sampaio é professor, especialista em Tradução e escritor. Já dirigiu um cineclube escolar e desenvolveu trabalhos de iniciação literária na prefeitura de Cubatão. Desde 2014 viaja o Brasil para expor seus livros e falar de seu amor pela literatura.
Cinéfilo e louco por Ficção Científica, vive em São Vicente, no litoral paulista. Foi finalista do prêmio Cubo de Ouro 2018 em Literatura Geek, com o livro ilustrado “Exídium”. Escreveu uma aventura sobre os últimos Lobisomens – Warwolf: O Ritual – e o roteiro do quadrinho “Exceção Hostil”. Também foi selecionado para compor vários livros de contos, nos gêneros Terror, Fantasia e Ficção Científica.
Site
domingo, fevereiro 03, 2019
Poesia: Porto De Santos História Viva! - Vanessa Ratton
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| Porto de Santos, obra de Benedito Calixto (1890) - Sergio Guerini/Divulgação Itaú Cultural |
Porto De Santos, História Viva!
Autora: Vanessa Ratton
Santos, Baixada Santista, São Paulo
Sou um canal, uma margem de chegada e partida.
Porta de entrada ou saída.
Esperança de uma nova vida.
Sirvo de rota, destino, passagem.
Abrigo, esteio.
Negócio ou viagem.
Canto amores, sirenes e dores.
Sou o sonho dos imigrantes e o pão dos estivadores.
Embarco tristezas e vitórias.
Trago cargas, homens e histórias.
Cheiro enxofre e maresia, mas, de noite, exalo alegria.
Das moças e dos marinheiros, sou o ponto de encontro das ilusões perdidas.
Meu cais conta séculos de aventuras.
Vi reis, piratas e presidentes.
Generais, escravos, presos e torturas.
Fui palco, sou celeiro de artistas do mundo inteiro.
Sou história viva, nova e antiga.
Brasileiro, santista.
O maior da América Latina.
Sou global e local.
Cenário e realidade.
Comércio e lazer.
Sou gente e cidade.
Sobre a autora:
Vanessa Ratton é jornalista, psicopedagoga, especializada em Teatro brasileiro e mestre em Comunicação e Semiótica.
É poeta e autora infantojuvenil com pseudônimo Tatá Bloom.
Mora, atualmente, em Guarujá, SP.
Foi finalista do Mapa Cultural Paulista, venceu o Pérolas da Literatura, nas categorias Poesia e Conto.
Além de ser finalista por três vezes do concurso Valdeck de Jesus e finalista da Fliporto em Porto de Galinhas.
Facebook: https://www.facebook.com/vanessacratton
quarta-feira, janeiro 23, 2019
Conto: O Bafo Da Lulu - Valdete Nilza Da Silva 2016
O Bafo Da Lulu
Autora: Valdete Nilza Da Silva
Bertioga, Baixada Santista, São Paulo
Zé Zico e Luciana, a Lulu, eram colecionadores de figurinhas da Copa de 1982. Como tantas outras crianças, adoravam trocar as figurinhas repetidas e disputar as mais cobiçadas que vinham nas embalagens do chiclet Ploc.
Numa tarde de verão – aquele calorão danado – rua de terra batida, poeira subindo a cada carro que passava, e meninos e meninas, sem medo de nada, brincavam em algum pedacinho de calçada, a brincadeira do momento: o jogo do Bafo.
Lulu, com suas 44 figurinhas, também queria jogar e então fez o convite ao amiguinho Zé Zico, o José Zico que morava no fim da Rua Brasil.
– Zé Zico, vamos jogar Bafo?
O menino tinha apenas seis figurinhas, pois ainda estava começando a sua coleção. Decidiu arriscar, e respondeu:
– Eu topo e só se for agora.
Ele tinha pouco tempo para brincar, pois logo teria que ir para a escola.
Zé Zico e Lulu foram para o outro lado da Rua Brasil, em frente ao número 10. Naquela Copa, vestiu a camisa 10 da Seleção Canarinho, ninguém menos do que o Meia Zico, que era do Flamengo, e foi o terceiro artilheiro da Copa de 1982.
Lulu, não era o “Chaves”, mas imaginou que com sua astúcia, venceria o adversário Zé Zico, fácil, fácil. Ela tinha 9 anos, e Zé Zico, 11, ou algo por aí. O que sei é que ambos adoravam o inocente jogo, até hoje passado de geração para geração.
Na primeira, “baforada”, Lulu ganhou a figurinha que trazia a foto do jogador Falcão. Depois outras e outras mais.
Expressando tristeza, Zé Zico não desanimou e avisou:
– Lulu, se prepara porque a próxima eu vou levar.
O menino queria vencer, sem trapacear. Sim, porque até no Bafo tem quem use de alguma artimanha para rapelar os jogadores adversários.
Então, colocaram mais figurinhas no chão. Zé Zico esquentou as mãos e com uma delas, levemente em forma de concha, mandou sobre elas aquele tapão. Pronto: Virou as figurinhas. Afinal, o objetivo do jogo é desvirar o maior número de figurinhas, que podem ser colocadas numa mesa ou mesmo no chão, umas sobre as outras, e voltadas para baixo. Aí é só dar o tapão e ver quantas viram para cima. Tudo o que ficar virado, passa a ser de quem deu o bafo.
– Uhuuu! Consegui! - Comemorou Zé Zico.
E continuaram jogando. Ora, Lulu vencia, ora a menina ficava sem mais um dos seus cromos. Ora Zé Zico perdia, ora ele ampliava a sua coleção. O jogo foi chegando ao fim e quando a brincadeira acabou ...
Lulu ficou sem as suas 44 figurinhas. Ficou sem chão. As figurinhas eram como um tesouro para aquela garotinha de cabelos negros. Afinal, não era todo dia que ganhava alguma moeda dos pais, para comprar um chiclete. Preferia o de tuti-fruti ao de hortelã. Não era todo dia que uma nova figurinha chegava às suas pequeninas mãos.
Lulu então pensou:
– E agora? O que vou fazer?
Ficar sem nenhuma figurinha, mas nenhuma mesmo, não estava nos seus planos. Então, a menina novamente convidou o amigo para jogar, mas agora seria “a brinca”, não mais pra valer.
– Zé Zico, coloque todas as figurinhas em um só monte e vamos ver quem consegue virá-las de uma só vez?
Feliz da vida, porque havia rapelado Lulu, Zé Zico não hesitou, e foi colocando figurinha sobre figurinha, todo sorridente.
Lulu, também não teve dúvida...
A menina, que deveria bater sobre o monte de cromos, com a mão completamente aberta ou levemente em “forma de concha”, passou a mão em todas as figurinhas e, como um foguete, correu para dentro da sua casa, quase atropelando a mãe, Isabel, que preparava o almoço, esperando o seu Souza chegar.
Zé Zico, enfurecido, mudou de cor. Vermelho, como um tomate, saiu correndo atrás de Lulu. Queria de volta as figurinhas que ganhara num jogo bem jogado.
O pai da menina, seu Souza – homem de bigode, bom coração e bons amigos –, estava chegando em casa. Percebendo que algo de errado havia acontecido com aqueles dois, tratou logo de proteger a filha. Instintivamente, os pais sempre desejam proteger aos filhos, mesmo quando já adultos e percorrendo suas próprias estradas.
Com ar de homem bravo, seu Souza declarou:
– Zé Zico, você não vai bater nela.
O menino, então, respondeu:
– Só quero minhas figurinhas de volta. Eu ganhei o jogo e ela perdeu, mas pegou as figurinhas e saiu correndo.
Calmamente, seu Souza chamou a filha, olhou para ela e nem precisou dizer uma só palavra. Aquele seu olhar dizia o que a menina deveria fazer.
Lulu apareceu e quase chorando foi logo dizendo:
– Toma, toma. Tudo bem, agora as figurinhas são suas, mas da próxima...
Zé Zico, nem se importou com o desafio. Estava pronto para o Bafo em qualquer outro dia. Agora era hora de voltar para casa, com suas 50 figurinhas. Tão radiante que estava, se quer percebeu que faltavam duas.
Hoje, Luciana (Lulu), professora, recorda-se do amigo Zé Zico - que virou médico, mudou de Bertioga, e ainda joga bafo com os filhos. Ri, como criança, da sua peraltice ao lembrar daquele dia em que perdeu todas as figurinhas, mas não queria ficar sem elas; e com grande carinho, fala do amor e dos ensinamentos transmitidos pelo seu Souza, e por dona Isabel.
Nota:
Na edição de 1982 da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira de Futebol foi dirigida foi dirigida por Telê Santana e era tida como a grande favorita à conquista do título, mas a equipe “canarinha” acabou eliminada pela Itália.
Mesmo em tempos de jogos virtuais, jogar Bafo continua sendo uma das principais brincadeiras entre meninos e meninas, e colecionadores de figurinhas, inclusive adotada em escolas em projetos educativos e de recreação. O Bafo é uma brincadeira do tempo dos nossos avós - e dos tempos atuais; chama-se assim, porque o bafo (vento) provocado pelas mãos durante a batida no monte de figurinhas é que irá virá-las.
Sobre a autora:
A escritora e jornalista Valdete Nilza Da Silva ganhou o Mapa Cultural Paulista de 2016/2017 na categoria Conto na nossa região Baixada Santista com o seu conto "O Bafo Da Lulu".
Download:
Baixar Mapa Cultural Paulista Antologia Literatura 2016 com todos vencedores e suas respectivas obras desse mesmo ano.
Mapa Cultural Paulista Antologia Literatura 2016.pdf
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